Domingo, 24 de Janeiro de 2010

Carlos conheceu a avó

As estranhas emoções pelo primeiro encontro. A descoberta das raízes num País que não conhecia. As horas intermináveis ao telemóvel com a mãe, também angolana.

Este CAN tem sido uma mistura enorme de experiências e sensações para o guarda-redes Carlos. Foi dos últimos a integrar a Selecção de Angola, em Outubro último, fruto de uma naturalização que resulta do facto de ser filho e neto de angolanas, sendo o pai português.

Nasceu em Kinshasa (Congo) e cedo rumou a Portugal, pelo que a sua ligação a Angola sempre foi mais afectiva, pelo convívio com a mãe, do que física, já que nem conhecia o País.

Mal chegou a Angola, Carlos fez questão de conhecer a sua avó materna. Não foi fácil saber do paradeiro dela, já que não só nunca a conheceu como não mantinha contactos com ela. A Federação Angolana de Futebol deu uma ajuda e descobriu onde vivia a avó, cujo nome e localização Carlos faz questão de manter em privado.

Sabe-se apenas que vive num musseque e em condições de dificuldade económica. Teve de ir acompanhado e guardado, até porque já estava em estágio pela Selecção. A própria federação, a par de Carlos, tomou a iniciativa de proporcionar melhores condições de vida à avó e aos filhos e netos com quem vive.

«Foi um reencontro indescritível. Não é fácil estar em frente de uma pessoa que nunca conhecemos, com quem não temos afinidade nenhuma, mas que ao mesmo tempo sabemos que é a nossa avó. Para ser sincero, nem conseguia dizer nada. Nem sabia o que dizer. Lá disse algumas palavras, apresentei-me e até usei o telemóvel para a colocar em contacto com a minha mãe. Foi uma visita curta, que estava em estágio, espero no final do CAN voltar lá e conversar melhor, já sem aquele impacto emocional do primeiro encontro», revelou Carlos.

A própria progenitora de Carlos não falava com a mãe há 15 anos. E como foi criada por uma tia, irmã da avó, a ligação afectiva também não é muito grande. «A minha vinda par cá pode ajudar a que elas se reencontrem, os elos se restabeleçam tudo se reate», comentou Carlos.

SAIAS DA MÃE

A conta do telemóvel de Carlos deve estará atingir valores astronómicos, tantas as horas que já passou ao telefone com a mãe. «Apesar de ter 30 anos, ainda ando sempre debaixo das saias da minha mãe... Falo com ela todos os dias e vou mantendo-a informado de tudo o que se está a passar «, revela Carlos, sorrindo.

As conversas versam o que se está a passar na Selecção, como Carlos se está a sentir e o que está a achar de Angola. Mais uma vez as raízes a quererem sugar toda a informação possível, para mais a mãe sente também as saudades de anos de ausência. Quer saber tudo sobre o País onde nasceu, vai ouvindo o que o guarda-redes lhe pode contar.

Carlos tenta absorver tudo o que se passa à sua volta. As cores, os cheiros, os sabores, as paisagens. Estar em estágio não ajuda muito em termos de disponibilidade de tempo. Mas mesmo assim, procura estabelecer elos com as suas raízes.

Na primeira tarde que teve de folga refugiou-se no Mossoulo. Tinha ouvido falar tanto dos seus encantos que se meteu no barco para conhecer. «Soube-me muito bem tanta tranquilidade, isolado, apenas a descansar e a ouvir as ondas do mar. Foi muito bom e fez-me muito bem», revelou Carlos. Gostou tanto que regressou na segunda tarde de folga que a Selecção já teve.

ELOGIOS AO POVO

A sua primeira tarefa era ser recebido como igual, angolano como os outros jogadores. No início, se bem que na brincadeira, chamavam-lhe o português e ele percebia o toque. Com humildade e trabalho, conseguiu ser aceite por todos e refere agora que «a integração está a ser excelente».

«A Selecção tem elementos de grande humildade e vontade de trabalhar e isso ajudou à minha plena integração na equipa», reforça.

No primeiro jogo, frente ao Mali, foi mal batido no primeiro de quatro golos sofridos. Logo se levantou o fantasma de Lamá, que até à sua chegada era o guarda-redes indiscutível da Selecção. Maior pressão? «Quem tem medo da pressão não pode ser jogador», riposta.

Não sofreu golos frente ao Malawi e frente à Argélia fez uma defesa portentosa a evitar golo. O estádio, cheio, aplaudiu-o de pé. Carlos, definitivamente, acabara definitivamente de entrar no coração dos angolanos.

«Estou fascinado com o ambiente fervoroso em redor da equipa. O povo angolano é fantástico no apoio que nos está a dar e nós queremos retribuir dando-lhes razões para se sentirem felizes», atirou Carlos.

03:00 - 22-01-2010

 

 

 

 

publicado por carlosfernandes13 às 23:39
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